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Guia prático para refutar desarmamentistas

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Poucas coisas me dão tanto prazer na vida: Um cigarro depois do café, acordar sem despertador… mas nada se compara ao de ganhar uma discussão e provar meu ponto de vista. Ainda mais quando a discussão já está ganha antes de começar. É quase um amistoso do Barcelona x Criciúma: já sabemos o resultado, mas temos gosto de assistir.

Embora alguns imprevistos possam ocorrer: uma dor de barriga no Messi, Neymar tenha tido uma crise de marra e preferido jogar Playstation em casa. Enfim. Nada é tão previsível quanto a falha dos argumentos desarmamentistas, nem mesmo Barcelona X Criciúma, e nesse guia prático – mas talvez não tão rápido – explicarei o porquê.

O principal motivo de ser muito fácil ganhar o embate com aqueles que defendem o desarmamento, é pela simples razão de que os argumentos armamentistas estão munidos de estudos sérios de Harvard, Oxford e estatísticas indiscutíveis, enquanto o opositor possui apenas achismos, na melhor das hipóteses, o mais bem armado dos desarmamentistas (com o perdão do trocadilho), estará munido de uma arma perigosa: a desonestidade intelectual.

Discussões sobre o tema começam de forma ingênua: fulano comenta que nos Estados Unidos a população é fortemente armada e o índice de violência é baixíssimo[1]; outro fulano retruca e diz no Brasil não temos “educação” para andar armados, que pessoas trocariam tiros em discussões de trânsito, que seria uma carnificina, um bang bang de velho oeste etc.

Recentemente houve um incidente no Rio de Janeiro, em que dois homens brigavam por uma cadeira na praça de alimentação e um dos elementos acabou baleado. O que a mente de uma pessoa de educação média tende a pensar no momento em que lê uma manchete como essas? “É por essas que se legalizarmos o porte dará tudo muito errado, casos como esse serão mais frequentes”. Inclusive peço que não se culpe se pensou dessa forma, isso é só mais uma consequência do fato da mídia convencional ter se tornado monopólio da agenda de esquerda. Peço uma reflexão simples, mas profunda: imagine a mesma situação, qual seja, discussão em uma praça de alimentação por um cadeira. Agora imagine a situação em dois cenários diferentes: um, como aconteceu de fato, em um país com rígido controle de arma; e a mesma situação num país que sabidamente a população é fortemente armada. Onde esse homicídio seria mais provável de acontecer? Num país em que o criminoso sabe que dificilmente outra pessoa estará armada no recinto? Ou em um país em que o criminoso sabe que haverá reação armada imediata após seu ato? Quem em sã consciência, ou no estado mais puro da raiva, sacaria uma arma de fogo em um ambiente onde provavelmente se encontrarão pessoas com o mesmo poder de fogo – ou até maior –, e que uma reação possivelmente fatal para si mesmo tenha risco de ocorrer?

Simplificando : ninguém puxa uma arma em um ambiente onde há pessoas armadas, aptas a se defender. Nem mesmo o pior dos psicopatas o faria. Prova disso é que quase todas as chacinas que ocorreram nos Estados Unidos desde a década de 50, tiveram lugar em estados com rígido controle de armas. [2] Nem é preciso ir tão longe no tempo: o massacre desse ano em Orlando – Flórida, no qual morreram 50 pessoas e mais 53 ficaram feridas, ocorreu numa “Gun Free Zone” ou em bom português “Zona Livre de Armas”. [3]

Uma das coisas que mais gosto de fazer quando entro nesse tipo de discussão é utilizar exemplos ao redor do mundo, para finalmente usar exemplos locais e me deliciar com a desculpa esfarrapada do desarmamentista para não constranger-se ainda mais com o silêncio. Ouço repetidamente: mas no Brasil seria diferente por causa disso, por causa daquilo.

Harvard publicou um estudo que relata que países com mais armas tendem a ter menos crimes. [3] O estudo teve como objetivo responder uma pergunta simples: “Banir armas reduz o assassinato e suicídio”? E ao contrário do senso comum, das opiniões dos mais sofisticados intelectuais da esquerda-caviar, a resposta é “NÃO”. Não foi simplesmente um “não”, foi um “Não” enfático: além de ficar provado que inexiste correlação entre o porte de arma civil e o crime urbano, verificou-se uma correlação inversa: quanto maior o porte de armas civil, menor a taxa de assassinatos e suicídios.

Os estudos dos dois criminologistas responsáveis – Prof. Don Kates e Prof. Gary Mauser – em seus exaustivos trabalhos sobre as leis americanas e europeias, índices de violência, demonstram fatos reveladores: “Nações com leis de desarmamento rígidas têm substancialmente índices de homicídios maiores em comparação a nações que facilitam o porte civil”. O estudo concluiu que as nove nações europeias com os menores índices de armamento civil (5 mil ou menos armas para cada 100 mil habitantes) têm – somados – índices de homicídio três vezes maiores que as 9 nações mais bem armadas (pelo menos 15 mil armas para cada 100 mil habitantes).

Esse fato já estatístico já elimina a necessidade de falar que a proibição do porte de arma na Europa não funcionou. Que tal eliminarmos agora uma boa parte do globo? Que tal utilizarmos o exemplo do maior país do mundo?
Claro, a Rússia. Gosto muito do exemplo russo porque foi um país que praticamente erradicou o porte de arma civil e mesmo assim possui uma taxa de assassinatos quatro vezes maior que nos Estados Unidos . Logicamente, somente uma minúscula parcela dos assassinatos ocorridos na Rússia envolve armas de fogo. Conclui-se que quando há intenção de assassinato, utiliza-se meios que estejam ao alcance, seja faca, pau ou pedra. A facilidade de se obter o porte de arma não torna mais fácil, um indivíduo comum num “surto de raiva” disparar em outrem.

Refutados os ideais do desarmamento na América do Norte, Europa, boa parte da Ásia, vamos viajar mais um pouco? Oceania. A Austrália possui hoje uma das mais rígidas leis de desarmamento, e como estão suas estatísticas? As piores: assaltos à mão armada aumentaram 69%, agressões envolvendo armas de fogo aumentaram 28%, invasões a domicílio aumentaram 21%. [4]

Segue uma pequena fala de Thomas Jefferson, terceiro presidente dos Estados Unidos, que tomei a liberdade de transcrever em tradução livre: “Leis que proíbem o porte de arma desarmam apenas aqueles que não estão inclinados ou determinados a cometer crimes. Leis que deixam as coisas piores para a vítima, melhores para o criminoso; servem mais para encorajar do que prevenir suicídios. Um homem desarmado será atacado com maior confiança por seu agressor, do que um homem armado.”

Os que são à favor do desarmamento se baseiam na crença irracional de que somente o Estado possui o direito de defendê-lo, e ao menos que você viva eternamente em “1984” (romance de George Orwell), o Estado não é onipresente. Não há modo mais puro de Fascismo do que negar o direito de manejar a própria defesa. A esquerda tem o hábito de chamar tudo que não lhe agrada aos ouvidos de “fascista”, ironicamente são eles os principais precursores das leis anti-armamento. Mais irônico ainda é o fato do desarmamento ser comprovadamente o principal método de governos fascistas e totalitários ao redor do mundo. Não é preciso procurar muito nos livros de história para saber que governos fascistas clássicos, como o de Stalin, Hitler, Mao Tsé Tung, desarmaram seus cidadãos antes de promoverem chacinas com cerca de 170 milhões de mortes no decorrer do século XX. Em contrapartida, a razão do direito básico americano da segunda emenda, o de portar armas, sabidamente serve para que o cidadão possa se proteger do próprio Estado, caso ele se torne corrupto. É seguro dizer que o porte de arma é uma garantia à democracia.

Bom, agora que refutamos quase todos os argumentos defendidos nos quatro cantos do mundo, seu amigo teimoso deve ter dito pela décima quarta vez que “no Brasil seria diferente”, e você está ansioso para contradizê-lo localmente, certo? Resta-nos a América do Sul, mas antes disso vamos tentar algo diferente.

Dessa vez vou brincar de dar a razão para o opositor, vamos levar em consideração um “argumento” que ele provavelmente já tenha usado a essa altura do campeonato: “No Brasil a educação do povo, de modo geral, não permitiria o porte de arma de fogo”.

Mas olha só! Que reflexão maravilhosa (devo caprichar a ironia nessa parte). Se uma boa educação é prerrogativa para que as pessoas possuam armas de fogo, pela mesma lógica a educação por si só deveria garantir um Estado seguro e desarmado, certo? Além do que, nesse caso, a polícia funciona, e as pessoas são educadas. Tudo é lindo e maravilhoso.

A partir desse momento proponha o seguinte cenário: “E se pegarmos uma megalópole americana e banirmos o porte de arma de fogo? Afinal qualquer megalópole americana possui certamente pessoas mais educadas e um governo muito melhor que o Brasil, certo?”. Essa é a parte que pessoalmente, eu gostaria que não passasse de mera suposição, infelizmente foi exatamente o que aconteceu.

Chicago, no Estado de Illinois, a terceira cidade mais populosa dos Estados Unidos, aprovou uma das leis anti-armas mais rígidas que o país já viu. Entre 2011 e 2012 a taxa de homicídios foi 17% maior, o suficiente para que uma cidade de quase três milhões de habitantes, se torne uma das mais mortíferas do planeta. No final de 2012, Chicago já havia praticamente igualado à taxa de homicídios em todo o Japão. Depois da situação de calamidade, voltaram atrás. Em 2014 Chicago voltou a permitir que seus cidadãos andassem armados. As consequências foram rápidas e inexoráveis: O número de roubos caiu 20%; número de arrombamentos também caiu 20%; o furto de veículos caiu impressionantes 26%, e já no primeiro semestre viu-se a taxa de homicídios recuar para o menor nível dos últimos cinquenta e seis anos.

Finalmente, depois desse experimento desastroso, podemos viajar à nossa tão amada América do Sul.
Os argumentos comumente usados no mundo inteiro já foram refutados, mas seu amigo provavelmente continua dizendo que latino tem sangue quente, que aqui a banda toca diferente, que aqui não temos educação.
É mesmo? E se eu lhe contasse que não existe relação entre educação, porte de armas e homicídio? Como?
Deixa eu lhe perguntar: o que você acha do Paraguai como país?

Certamente é maravilhoso para comprar eletrônicos, o último iPhone lançado, mas todos nós sabemos a verdadeira zona que é aquele lugar. Organização, limpeza, educação, comprovadamente piores que no Brasil.
Mas e a violência? Menor. Por quê? Dez reais e um pão de queijo na mesa para o primeiro que adivinhar.
Isso mesmo! Porte de arma. O Paraguai é altamente armado, o segundo país mais armado da América Latina, perdendo apenas pro Uruguai, que possui uma taxa de homicídios ainda menor. Na verdade eu só usei esse exemplo porque muambas muito provavelmente vocês já foram buscar, mas dificilmente conhecem Montevidéu .

E vale a pena visitar, hein? Tem praias maravilhosas, tem um restaurantezinho ali a duas quadras da Praça Fabini que serve um vinho uruguaio maravilho… Desculpa, onde eu estava mesmo? É verdade, eu e minha mania de me alongar em bons momentos, porque chegamos quase ao fim do meu artigo!

Essa é a parte em que se ganha a discussão. Já utilizamos exemplos do mundo inteiro. Na própria América do Sul verificamos que o que acontece não foge à regra do resto do mundo. Mas não importa falar em australianos, europeus, americanos, russos, ou até mesmo latinos: “O BRASILEIRO É DIFERENTE”, certo?
Por algum motivo nossa cultura supostamente não permite que tenhamos o porte de arma. Esse é o golpe de misericórdia: Mesmo com o Estatuto do Desarmamento em vigor, o Estado que possui mais armas legais é o que possui menos homicídios por arma de fogo: apresento-lhes o ilustre Estado de Santa-Catarina.

Para completar o incrível fiasco que vivemos dez anos após o Estatuto do Desarmamento – considerado um dos mais rígidos do mundo – as mortes por armas de fogo aumentaram 346% ao longo dos últimos 30 anos. Com quase 60 mil homicídios por ano, o Brasil já é em números absolutos o país em que mais se mata. Para colocar de uma forma ainda mais absurda: 13 anos de guerra do Afeganistão mataram cerca de 90 mil pessoas, quase alcançando o índice brasileiro de 60 mil homicídios anuais.

Francamente, eu espero que depois do raciocínio apresentado, você leitor tenha compreendido o que se passa em relação ao desarmamento. Mas a má notícia é que ganhar a discussão só vale para as pessoas que assistem em volta.
Seu amigo provavelmente já inventou a mais esfarrapada das desculpas para continuar, por questão de honra, tendo a mesma posição. Mas isso não é de toda culpa dele, afinal décadas de monopólio midiático de esquerda fizeram uma lavagem cerebral em massa, de dar inveja a qualquer cientista de filme de terror.

Chega-se a um ponto que é impossível confrontar seu opositor com estudos, argumentos, com razão, porque com o passar dos anos as pessoas aprenderam a associar arma a algo ruim que de tão intrínseco, associam armas à morte, e não à proteção. Não adianta mostrar os dados de que a cada ano, 200 mil mulheres defenderam-se de crimes sexuais nos Estados Unidos, utilizando-se de armas de fogo, enquanto o desarmado reino unido possui 125% mais vítimas de estupro.

A partir desse momento seu opositor está entregue à sorte de que algum dia uma luz lhe mostre a verdade, porque o que torna impossível ganhar a discussão é que nossos argumentos dependem de coisas complexas, como dados, estudos, e razão. E enquanto isso, o indivíduo que se encontra na ignorância possui argumentos “irrebatíveis”: O achismo em simbiose com o medo, e a “fé” encrustada por um establishment perverso e egoísta.

Referências

http://www.zerohedge.com/news/2013-08-09/picturing-plunge-gun-crimes-gun-sales-surge

http://www.usatoday.com/story/opinion/2012/12/25/gun-free-zone-john-lott/1791085/

https://www.youtube.com/shared?ci=KJ-tbzFRtlM

http://thetruthwins.com/archives/you-wont-believe-the-crazy-things-that-are-being-said-about-gun-owners

https://gunowners.org/fs0404.htm

http://www.zerohedge.com/news/2013-08-09/picturing-plunge-gun-crimes-gun-sales-surge

http://www.dailymail.co.uk/news/article-1196941/The-violent-country-Europe-Britain-worse-South-Africa-U-S.html#ixzz2HQDkC3re

http://www.nationmaster.com/country-info/stats/Crime/Rape-victims

http://www.nationmaster.com/country-info/stats/Crime/Assault-victims

http://theeconomiccollapseblog.com/archives/large-cities-all-over-america-are-degenerating-into-gang-infested-war-zones

http://articles.chicagotribune.com/2013-01-01/news/ct-met-chicago-500th-homicide-20121229_1_homicide-rate-gang-violence-illegal-guns

http://www.nbcchicago.com/blogs/ward-room/The-Deadliest-Global-City-163874546.html

http://m.washingtontimes.com/news/2014/aug/24/chicago-crime-rate-drops-as-concealed-carry-gun-pe/

http://theeconomiccollapseblog.com/archives/society-is-crumbling-right-in-front-of-our-eyes-and-banning-guns-wont-help

http://www.cityrating.com/crime-statistics/georgia/kennesaw.html#.UggeoD8pgw6

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1584

http://gunowners.org/news12202012.htm

http://www.mvb.org.br/noticias/index.php?&action=showClip&clip12_cod=1642

http://m.oglobo.globo.com/brasil/mapa-da-violencia-2014-taxa-de-homicidios-a-maior-desde-1980-12613765

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