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Globalistas partem para ofensiva contra mídia independente

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Durante uma conferência de imprensa no Peru, o Presidente dos Estados Unidos Barack Obama afirmou que “Se, geralmente, temos eleições que não estão focadas em problemas e estão cheias de noticias e informações falsas e distrações, então o problema não será o que está ocorrendo no exterior; O problema será o que nós estamos fazendo do lado de dentro”[1]. Dessa maneira, ele endossou um coro que já tinha sido ecoado pela Chanceler alemã Angela Merkel, quando declarou que os sites falsos, bots e trolls eram um problema que teria de ser enfrentado[2].

Não se põem em dúvida aqui que a internet realmente possui noticias falsas. O que está em jogo não são elas, muito pelo contrário, essa é uma narrativa que está sendo utilizada pelo establishment globalista para legitimar a perseguição da crescente mídia independente que vem expondo informações que usualmente a mídia tradicional não fazia, gerando grande prejuízo político para políticos corruptos ao redor do mundo. Essa narrativa é típica da lógica revolucionária que, segundo o filosofo Olavo de Cavalho, “sempre atua com dois objetivos simultâneos e antagônicos, um declarado e provisório, o outro implícito e constante”, sendo o primeiro “a solução de algum problema social ou de alguma crise”, já o segundo “a desorganização sistemática da sociedade e o aumento do poder do grupo revolucionário[3].  Necessário notar também que entre “o problema apontado e a solução proposta há sempre um ‘non sequitur’, um hiato lógico, camuflado sob forte apelo emocional”, que é o que vamos notar a seguir.

Durante a campanha eleitoral, o Presidente Barack Obama já tinha se manifestado preocupado com o crescimento de sites que apoiavam Donald Trump em diversas oportunidades, inclusive questionando a maneira como as mídias sociais permitem que as pessoas encontrem pessoas que concordam entre si, validando seus pensamentos e opiniões, criando uma nova estrutura de permissividade[4]. Seguindo ele, várias agências de notícia da mídia tradicional começaram a veicular notícias sobre o perigo das “notícias falsas”, tais como The Guardian[5], Independent[6] e inclusive o New York Times[7], sendo o caso desse ultimo ainda mais peculiar: o próprio jornalista que escreveu o texto sobre o problema das noticias falsas, Jim Rutenberg, foi o mesmo que escreveu em outro artigo contra a objetividade e imparcialidade quando se tratava de Donald Trump[8],  tendo insistido nessa atitude, mesmo depois que o diretor executivo do jornal fez uma desculpa pública e formal pela imparcialidade durante as eleições presidenciais[9], em um texto onde ele clama pela intervenção de Mark Zuckenberg para garantir que o Facebook policie notícias falsas, listando várias que coincidem com opiniões de seus desafetos políticos, como Trump e sua equipe[10].

Toda essa campanha parece ter chegado ao máximo com as alegações de que a inteligência russa interviu na eleição americana, supostamente criando um sistema de propaganda que favorecia Donald Trump em detrimento da candidata democrata Hillary Clinton. Essa alegada relação entre Putin e o candidato republicano já havia sido levantada por sua adversária durante o ciclo eleitoral[11], contudo com a publicação de um jornal grande como o Washington Post, na figura de Craig Timberg, reafirmando essa acusação[12], consubstanciada por uma pesquisa independente[13], ela ganhou maior relevância, para além do mero discurso partidário. Evidente que não poderíamos deixar tal informação sem a devida análise, afinal, que tipo de método sofisticado permitiria aos pesquisadores discernir de onde vinha a propaganda russa por toda a internet? Ao checarmos a metodologia, foi possível constatar um sério desvio, pois que na página 9 eles interpretam como propaganda russa diversos tipos de discursos anti progressista, rotulando dessa maneira qualquer site que postar constantemente coisas negativas acerca dos Estados Unidos, Obama, Hillary Clinton, a União Europeia, a OTAN, etc, o que evidentemente abarca qualquer site de oposição a essas figuras públicas, independente do espectro político, abarcando desde o site do libertário Lew Rockwell até os comunistas do “Naked Capitalism”[14]. Com isso, o Washington Post e os pesquisadores atrairam a revolta até mesmo da mídia tradicional, inclusive chamando atenção de um dos autores citados como referência pelos próprios, Andrien Chen, do The New Yorker, que questionou não apenas como a metodologia, como também a insistência dos pesquisadores no anonimato, citando os perigos que poderiam advir ao se rotular discordâncias razoáveis de agentes russos[15], no que foi seguido pelo The Intercept[16] e pela Rolling Stones[17].

Mesmo com tudo isso, faltava a cereja do bolo, o apelo emocional para revestir o esquema todo de legitimidade. Foi ai então que surgiu um incidente na polêmica pizzaria Comet Ping Pong, onde um homem chamado Edgar Maddison Welch, supostamente, entrou no restaurante com uma AR-15, com o objetivo de investigar pessoalmente sobre a presumida ligação entre membros do alto escalão do governo Americano com pedófilos[18] que se reuniriam nessa pizzaria.  Essa foi a oportunidade de ouro para a mídia se lavar nos seus desafetos políticos, tal como fez Tim Mak, do Daily Beast, ao associar o invasor com os portais Infowars e Breitbart, levantando a questão contra as “notícias falsas”[19], assim como também fez Richard Cowan, da Reuters, expressamente falando como esse caso era “um exemplo de como noticias falsas que proliferaram durante o ano eleitoral impactaram a vida das pessoas”[20], narrativa que foi repetida também pela CBS[21], dentre outras agências.

 

Gunman Pizza Shop

 

Sendo ou não o caso uma questão de False Flag, o acontecimento em questão abre uma possibilidade incrível para o avanço da agenda da censura globalista. Nesse sentido, devem ser notados os esforços que as mídias progressistas vem fazendo em cima do Facebook e do Google para que esses passem a ter um controle sobre as “noticias falsas” que, se bem sucedidos, podem significar uma perda imensa para os diversos sites de mídias alternativas, visto que, de acordo com a Gallup Poll ao menos 62% dos Americanos adultos veem noticias através das redes sociais, majoritariamente os usuários de Facebook[22], sendo esse o canal de comunicação mais politicamente poderoso de todos. Além disso, sabe-se hoje da existência do “Seach Engine Manipulation Effect” (SEME), que basicamente é o efeito gerado pelas páginas de pesquisa capaz de influenciar no comportamento humano e, inclusive, de alterar os resultados das eleições, ao dispor os resultados da pesquisa com parcialidade[23].

Essa agenda vem produzindo frutos, tanto o Google coo o Facebook já se posicionaram na direção do combate às “notícias falsas”, fazendo cortes nas verbas de publicidade que vem através do “Google Adsense” e do “Facebook Audience Network”. Vale ressaltar ainda que o Facebook já tinha entrado em uma polêmica anterior sobre o assunto ao censurar arbitrariamente conservadores que chegassem aos trending topics[24], o que rendeu inclusive pressão por vários meios midiáticos que levou a demissão de uma equipe envolvida com o tema[25]. Não apenas essas empresas partiram para o boicote, mas também outras como Allstate, Nest, Earthlink, Warby Parker, Sofi e Kellog’s entraram na problemática, removendo qualquer tipo de publicidade de um dos maiores sites de mídia alternativa da internet, o Breitbart[26].

Diante de todo esse cenário, a União Europeia e o governo Americano passaram a se movimentar na direção de combater as noticias falsas também.

No caso Americano, uma iniciativa bipartidária dos Senadores Rob Portman (Republicano – Ohio) e Chris Murphy (Democrata –  Connecticut) chamada “Countering Foreign Propaganda and Disinformation Act”, que expande o State Department’s Global Engament, que atualmente se foca em combate a propaganda do Estado Islâmico, para ajudar no combate a propaganda russa, inclusive incentivando o jornalismo “independente” em países atacados pela propaganda Russa e outras potências externas, incluindo a China, um apoio que chegaria na casa de 160 milhões dentro de 2 anos. De acordo com Craig Timberg, os congressistas foram motivados pela mesma pesquisa de metodologia duvidosa que ele divulgou no Washington Post, a qual nós comentamos anteriormente no texto[27]. Não só essa iniciativa tomou corpo, mas também outra iniciativa, vinda de outro republicano, Devin Nunes (Republicano – Califórnia), também ganhou destaque, basicamente criando uma entidade dentro das agências de inteligência dos Estados Unidos chamada “Comitte to Counter Active Measures by Russian Federation to Exert Covert Infuence over Peoples and Governments”, prevista na seção 501 da “Intelligence Authorization Act for Fiscal Year 2017[28], que terá como função combater a inteligência russa, inclusive, curiosamente, a manipulação midiática. Deve-se pontuar aqui que não se tira o crédito da afirmação de que há interferência da desinformação russa nos Estados Unidos, contudo, dentro do contexto em que essa legislação aparece, não é de nenhum exagero cogitar que ela se revestirá em um ataque governamental as mídias alternativas, não necessariamente aquelas controladas pelos russos.

No caso Europeu, houve uma iniciativa da União Europeia na direção de banir, através de “ações não legislativas”, noticias falsas ou que fossem marcadas como “Discurso de ódio”. De acordo com o Comissário de Justiça da União Européia, Vera Jouravá, “As ultimas semanas e meses tem mostrado que as redes sociais tem que lidar com o seu papel importante e a parcela de sua responsabilidade quando se trata de radicalização, discurso de ódio ilegal ou notícias falsas”. Os índices de remoção foram 50% direcionados a Alemanha e a França e em quantidades de 4% na Itália e na Austria[29]. Não parece necessário dizer que a iniciativa parece bem preocupante diante de um cenário em que a União Europeia tem perdido espaço para diversos movimentos eurocéticos. Vários movimentos de direitos humanos como a Anistia Internacional, o European Network Agains Racism (ENAR), Human Rights Watch, a International Comission of Jurists (ICJ) e até mesmo, muito estranhamente, a Open Society Foundation (OSF), se mostraram preocupados com  a situação, protestando abertamente contra o surgimento de restrições a liberdade de expressão e protestos pacíficos em vários países europeus[30].

[1] http://www.breitbart.com/2016-presidential-race/2016/11/21/obama-joins-war-fake-news/

[2] http://www.breitbart.com/london/2016/11/24/video-merkel-says-trolls-fake-news-influence-german-election/

[3] http://www.olavodecarvalho.org/semana/121227dc.html

[4] http://www.independent.co.uk/news/world/americas/donald-trump-barack-obama-fake-news-facebook-pro-trump-us-election-online-a7424371.html

[5] https://www.theguardian.com/media/2016/nov/20/barack-obama-facebook-fake-news-problem

[6] http://www.independent.co.uk/news/people/donald-trump-breitbart-infowars-alex-jones-facebook-twitter-fake-news-fact-free-a7417331.html

[7] http://www.nytimes.com/2016/11/07/business/media/medias-next-challenge-overcoming-the-threat-of-fake-news.html

[8] http://www.nytimes.com/2016/08/08/business/balance-fairness-and-a-proudly-provocative-presidential-candidate.html

[9] http://www.nytimes.com/2016/11/13/us/elections/to-our-readers-from-the-publisher-and-executive-editor.html

[10] http://www.nytimes.com/2016/11/21/business/media/zuckerberg-and-facebook-must-defend-the-truth.html?rref=collection%2Fcolumn%2FMediator

[11] http://edition.cnn.com/2016/10/19/politics/clinton-puppet-vladimir-putin-trump/

[12] https://www.washingtonpost.com/business/economy/russian-propaganda-effort-helped-spread-fake-news-during-election-experts-say/2016/11/24/793903b6-8a40-4ca9-b712-716af66098fe_story.html?utm_term=.fc22b50c7ace

[13] https://drive.google.com/file/d/0Byj_1ybuSGp_NmYtRF95VTJTeUk/view

[14] http://www.propornot.com/p/the-list.html

[15] http://www.newyorker.com/news/news-desk/the-propaganda-about-russian-propaganda

[16] https://theintercept.com/2016/11/26/washington-post-disgracefully-promotes-a-mccarthyite-blacklist-from-a-new-hidden-and-very-shady-group/

[17] http://www.rollingstone.com/politics/features/washington-post-blacklist-story-is-shameful-disgusting-w452543

[18] http://www.thedailybeast.com/articles/2016/12/04/fake-news-delivers-real-gunman-to-pizzeria-caught-up-in-alt-right-fake-news.html

[19] Idém

[20] http://www.businessinsider.com/r-gunman-enters-washington-restaurant-hit-by-fake-news-reports-2016-12

[21] http://www.cbsnews.com/news/edgar-maddison-welch-charges-filed-against-suspected-pizzagate-comet-ping-pong-gunman/

[22] http://www.journalism.org/2016/05/26/news-use-across-social-media-platforms-2016/

[23] EPSTEIN, Robert; ROBERTSON, Ronald E.. The search engine manipulation effect (SEME) and its possible impact on the outcomes of elections. Disponível em: <http://www.pnas.org/content/112/33/E4512.full.pdf>. Acesso em: 31 out. 2016.

 

[24] http://gizmodo.com/former-facebook-workers-we-routinely-suppressed-conser-1775461006

[25] http://www.businessinsider.com/facebook-fires-trending-topics-team-2016-8

[26] http://fortune.com/2016/11/29/kellogg-breitbart-trump/

[27] https://www.washingtonpost.com/9147e1ac-e221-47be-ab92-9f2f7e69d452_story.html?utm_term=.29031a9e8e3a

[28] https://www.congress.gov/bill/114th-congress/house-bill/6393

[29] http://www.breitbart.com/london/2016/12/05/eu-threatens-action-facebook-hate-speech-censored-24-hours/

[30] http://www.express.co.uk/news/politics/738849/European-Union-Human-Rights-Watch-concern-EU-anti-terror-law-free-speech-eurosceptic

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