FilosofiaHistória

O mito dos degredados na colonização brasileira. Mais uma falácia!

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Roda, roda e vira, solta a roda e vem

Me passaram a mão na bunda e ainda não comi ninguém

(Mamonas Assassinas – Vira-vira)

 

Não é de hoje que vemos, lemos ou ouvimos uma série de calúnias que visam detratar nossos antepassados portugueses e, na mesma medida, colocar sobre eles a culpa de todos os nossos males, exaurindo-nos de nossas responsabilidades e de nossa consciência individual.

Parafraseando Ivan Karamazov: “se a culpa é dos portugueses, tudo é permitido”. Nada mais simples do que esta máxima para resumir o estado atual de decadência moral do brasileiro.

Esse processo de ‘ataque’ cultural aos portugueses não é novo, como afirmei, mas o ápice de duas estratégias, um tanto díspares, que vêm sendo implantadas no Brasil, uma mais antiga, outra mais recente, que acabaram convergindo, já que a segunda se aproveitou da primeira.

A primeira estratégia (se é que pode ser chamada disso), a mais antiga, que data do início do século XIX, é a nossa caricata busca de identidade que no decorrer da história se tornou apenas uma revolta contra nossas raízes lusitanas, revolta esta que se assemelha a um adolescente rebelde contra os pais (sobre isso ver Luís Martins. O patriarca e o bacharel. 2ª ed. São Paulo: Alameda, 2008. Obra em que é analisada como os jovens ricos e estudados, principalmente filhos de famílias patriarcais da oligarquia cafeeira, que participaram direta ou indiretamente do golpe à Monarquia que destronou D. Pedro II e instaurou a República, arrependeram-se de tal feito tanto por causa dos males que a República fez ao país, quanto do arrependimento e remorso do que causaram ao Imperador – figura paterna – e aos demais membros da família imperial e também às suas próprias famílias), servindo para atacar e ironizar com ares de superioridade toda a cultura e os empreendimentos lusitanos existentes neste país (Numa apostila de seu Seminário de Filosofia, de 12 Jun. de 1999, intitulada Quem come quem), o filósofo Olavo de Carvalho também discute esse tópico, enfatizando como largamos de mão toda nossa tradição e herança cultural portuguesas que, por sua vez, têm caráter milenar, como o conhecimento da Antiguidade Clássica, o Catolicismo, a filosofia europeia, em suma, toda a Civilização Ocidental. É notável também aspectos absurdos em nosso ensino os quais o autor chama de “três fontes de engano, nas quais bebemos compulsivamente há mais de um século”. Tal atitude não deu certo, pois como vemos até hoje substituímos apenas uma coisa por outra, já que na ausência de nossas raízes lusitanas, preenchemos os buracos macaqueando primeiramente os franceses com algumas pinceladas dos demais países europeus, como Inglaterra, Alemanha e Itália. Posteriormente, imitamos os norte-americanos, o que serve para explicar a relação mental patológica de amor e ódio que a maioria dos brasileiros tem em relação aos Estados Unidos (sobre o tema a melhor análise é de J. O. Meira Penna. O Brasil na Idade da Razão. Rio de Janeiro/ Brasília: Forense/ MEC-INL, 1980).

A segunda, a mais recente, é a dominação cultural comunista, que teve seu início durante o período militar (após 1964), que atacou as estruturas de nossa sociedade, bem como nossa inteligência. Como qualquer projeto revolucionário busca acabar com a tradição de um povo, principalmente seguindo o modelo gramsciano, para implantar o comunismo num país é preciso cortar suas raízes, sendo que nossas raízes lusitanas, que trazem consigo o catolicismo, a família tradicional, a monarquia e várias outras tradições, incluindo toda nossa herança cultural portuguesa, que está ligada à nossa tradição e está de acordo com os princípios conservadores, que formaram e construíram nosso país, bem como nos tornam brasileiros, são um real impedimento e uma resistência a esse plano de dominação comunista. É uma pena que nas últimas décadas grande parte da produção e pesquisa historiográficas serve para recontar a história, elaborando uma série de mentiras bem formuladas, que acabam por ser repetidas ad infinitum por professores, alunos, livros, imprensa, cinema e televisão, entre outros.

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Destaco aos meus leitores que, caso sigamos uma ordem cronológica da história do Brasil, a primeira mentira disseminada, a ponto de ser encarada como uma verdade incontestável, algo de senso comum, é a de que Portugal mandou para cá, para nos colonizar, somente criminosos, degredados etc., ou seja, indivíduos da pior espécie.

Antes de mostrar o quanto isto é falso, discutirei as implicações na realidade de tal acontecimento histórico, caso ele fosse verdadeiro.

Se realmente fossemos colonizados por sujeitos execráveis, como assassinos, estupradores, ladrões, prostitutas, entre outros, nada impediria que ocorressem três consequências benéficas que mudariam o rumo de nossa história para melhor:

1 – A primeira, tais sujeitos exilados poderiam fazer alianças entre eles, ou entre alguns e os nativos locais, para poderem sobreviver diante das adversidades apresentadas no território desconhecido e hostil a que foram enviados. Isso os tornaria pessoas melhores, que fizeram boas escolhas ao menos com o intuito de se manterem vivos. Nesta primeira alternativa, os benefícios podem ser mantidos em longo prazo ou não, dependendo apenas das escolhas e da consciência individual. Em outras palavras, decisões boas geram consequências boas para si mesmo e para as gerações futuras;

2 – A segunda, os criminosos poderiam ter se arrependido de seus crimes e escolhido começar uma vida nova, visando à remissão de seus pecados, vivendo, assim, uma vida reta. Esta segunda escolha, gerará somente frutos bons para as gerações futuras;

3 – A terceira, os sujeitos enviados em nada se arrependeriam nem modificariam seus respectivos comportamentos quando degredados, porém devemos lembrar que seus descendentes não seriam obrigados a seguir o caminho de erros de seus pais, com isso, mesmo com antepassados criminosos, uma população pode se sair bem, basta as gerações futuras optarem por seguir o caminho da retidão.

A esta altura o leitor pode estar afirmando que isto é impossível, que tal situação não existe, que diante de adversidades faremos qualquer coisa para sobrevivermos, mesmo que sejam coisas ruins, que estou sendo idealista ou moralista. Como resposta ao leitor que afirmou ou pensou tais coisas, cito, entre alguns casos, o exemplo da Austrália, que foi uma colônia penal britânica, com os piores criminosos, que enfrentaram um clima desfavorável e uma população nativa extremamente violenta e, ainda assim, conseguiram se estabilizar, melhorar e desenvolver, sendo um país rico e com ótimos indicadores socioeconômicos, bem diferente do que é o Brasil na atualidade.

Então, mesmo que fossemos colonizados por criminosos e exilados, nossa situação atual de decadência, imoralidade e inversão de valores não se justifica por isso. Justifica-se, sim, por nossas péssimas escolhas no decorrer de nossa história em que sempre optamos egoisticamente pelo caminho mais fácil, que prejudicará o próximo e beneficiará somente o sujeito, que destruirá o país e o futuro de muitos, mas isso não interessa, desde que o sujeito seja beneficiado. É esse o pensamento de grande parte dos brasileiros.

Daí, explica-se facilmente que é válido, e também fácil, até necessário, que mentiras ou mitos que coloquem a culpa nos outros, menos em quem seja o verdadeiro culpado, sejam disseminados em nossas universidades, pois nossos professores recebem uma pesada formação esquerdista e produzem livros mentirosos, e, posteriormente, via o ensino (seja nas escolas públicas ou privadas), controlado pelo MEC (que nada mais é do que um braço comunista de nosso Governo), pelo fato que a manipulação da mente da população, escolhendo ‘culpados’ a torto e a direito, é um excelente instrumento para direcionar o ódio das pessoas, afastando-as da Verdade e para que estas pessoas sirvam de massa de manobra (gado político ou militante, tudo a mesma coisa), distanciando-se cada vez mais das possibilidades de realmente melhorarem suas vidas e o país. Em outras palavras, para facilitar, a tarefa de reescrever a história, mentindo e escondendo certos acontecimentos serve para controlar a população. Assim, pode-se apascentá-la ou insuflá-la quando quiser, como quiser e contra quem quiser.

Nada mais explícito aqui do que a metáfora de O mágico de Oz, não é?

Agora vamos aos fatos.

Basta lermos os clássicos de nossa historiografia (e aqui podemos nos orgulhar, pois tivemos excelentes historiadores), aqueles que realmente fizeram pesquisas sérias e honestas, eram sujeitos comprometidos com a Verdade e que não se vendiam a ideologias ou a ideólogos (como são os escritores e professores atuais), e que escreviam com uma prosa sem igual, podendo ser lidos até mesmo para serem aprendidos e admirados seus respectivos estilos (bem distinto da escrita acadêmica, repleta de erros gramaticais ou de uma prosa simplista, anglicizada e contaminada de ‘internetês’; ou de uma escrita pomposa, contaminada pela retórica e por galicismos), para encontrarmos narrativas, referências, interpretações e documentações que comprovam que o Brasil não foi colonizado apenas por portugueses criminosos, mas por navegadores, heróis, nobres, oficiais, fidalgos, profissionais das mais distintas áreas, intelectuais e por vários integrantes do clero católico.

Fica uma pergunta no ar, que é facilmente respondida por um sujeito normal (menos por esquerdistas):

– Quem é que mandaria um monte de marginal para fundar um novo império ou expandi-lo?

Afinal, os portugueses não são tão burros como retratamos em nossas piadas!

A seguir, farei uma seleção de citações de alguns desses grandes historiadores, de suas documentações e análises sobre os primeiros anos do Brasil e quais eram os cidadãos portugueses que vieram para cá.

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Desembarque de pedro Álvares Cabral em Porto Seguro em 1500.

Pintura a óleo de Óscar Pereira da Silva (1867-1939)

Reitero que não citarei ideólogos da esquerda, nem autores da moda, nem professores universitários que tentam agradar o partido, visando um cargo ou algum outro benefício. Apenas os grandes historiadores que versaram sobre a História do Brasil.

Inicio por Frei Vicente de Salvador, e ele nos afirma que:

Ali desembarcou o dito capitão [Pedro Álvares Cabral] com os seus soldados armados para pelejarem, porque mandou primeiro um batel com alguns a descobrir campo, e deram novas de muitos gentios que viram; porém não foram necessárias armas, porque só de verem homens vestidos e calçados, brancos e com barba (do que tudo eles carecem) os tiveram por divinos e mais que homens, e assim chamando-lhe caraíbas, que quer dizer na sua língua coisa divina, se chegaram pacificamente aos nossos.

(…)

Mas muito mais cresceu nelles os respeito quando viram oito frades da ordem do nosso padre S. Francisco, que iam com Pedro Álvares Cabral, e por guardião o padre frei Henrique, que depois foi bispo de Ceuta, o qual ali missa e pregou (…)

(Frei Vicente do Salvador. História do Brasil. 1500-1627. São Paulo/Rio de Janeiro: Weiszflog Irmãos, 1918. p. 13-14)

Já Rocha Pita menciona rapidamente os primeiros casamentos que ocorreram na Bahia (Rocha Pita. História da América Portuguesa. 2ª ed. Revista e anotada por J. G. Goes. Lisboa: Francisco Arthur da Silva Editor, 1880. p. 21), o que vai de encontro às teses de que só havia aqui prostitutas ou que havia falta de mulheres e o homem apelava às nativas. Realmente, o número de homens era bem maior que o de mulheres, bem como nada impedia que uma prostituta largasse sua atividade e casasse, porém as relações humanas eram, e continuam a ser, mais complexas do que um punhado de enunciados ou regras.

Da mesma maneira que Frei Vicente de Salvador, Rocha Pita também cita a presença de frades (Idem, p. 27).

Sobre figuras notáveis que viveram ou foram enviadas ao Brasil Colônia, Rocha Pita nos ilumina com as passagens a seguir:

Mandou logo [D. Manuel] este grande príncipe por Américo Vespúcio, toscano de nação e insigne cosmógrafo d’aqueles tempos, a reconhecer e examinar os mares e terras d’esta região. Depois despediu algumas embarcações com o capitão Gonçalo Coelho, para indagar individualmente as notícias do país, costas, portos e enseadas, tomar posse e meter marcos na parte do mundo novo que ficava pertencendo a sua coroa, para a pôr na sua obediência, posto que os progressos que o tinham empenhado na África e Ásia, lhe não permitiram a diversão de armadas e gente para a conquista e povoação do Brasil. (Idem, p.28)

Movia n’este tempo, desde o de mil e quinhentos e vinte e um, as rédeas da monarquia El-Rei D. João III, príncipe em cujo pio animo real, sobre muitos atributos, avultaram a paz e a religião (…). Enviou juntos capitães e missionários, para que, ao passo que as colónias portuguesas, crescessem as searas evangélicas, sendo um dos seus cabos (chamado Christovam Jacques) o primeiro que entrou pela enseada da Bahia, ainda até ali não descoberta dos nossos exploradores, e penetrando por ela o seu recôncavo, chegou ao rio Paraguaçu, onde meteu a pique duas naus francesas, que estavam comerciando com os gentios.

  1. Não passará em silencio a notícia de uma notável matrona d’este país (que sendo por nascimento primeira entre os naturais, poderá não ser segunda por amor entre os estranhos) a quem a natureza e a fortuna fizeram benemérita d’esta memoria, e seria desatenção excluir d’este teatro tão essencial figura, que foi instrumento de que mais facilmente se dominasse a Bahia, que veio a ser cabeça do Estado. Referiremos a sua história pelo que consta de antigos verdadeiros manuscritos, que se conservam em várias partes d’esta província, em muitas circunstâncias diferente da forma em que a escrevem os autores que n’ela falaram.
  2. Era filha do principal da província da Bahia (…) (Idem, p. 28-29)

O grande historiador Francisco Adolfo de Varnhagen, em sua monumental obra História Geral do Brazil. (Tomo Primeiro. 2ª ed. Rio de Janeiro: Casa de E. e H. Laemmert, 1877) nos dá notícia que Cabral e outros membros indicados como donatários das capitanias, ou para realizar empreendimentos comerciais em terras brasileiras, eram de famílias ilustres, contrariando novamente o mito dos degredados, da mesma forma que Pedro Calmon também informa, conforme será citado mais abaixo:

Afim de assegurar esse comércio em favor de Portugal, por meio do estabelecimento de algumas feitorias, partiu da foz do Tejo, aos 9 de Março de 1500, uma esquadra de treze embarcações, armadas algumas por negociantes particulares, mas todas sujeitas à capitania mor de Pedro Alvares Cabral, indivíduo de família ilustre (Idem, p.70)

Os contratadores ou arrendatários, mandavam por sua conta naus a esta Terra do Brazil. D’uma de tais naus, de que eram armadores Bartholomeu Marchioni, Benedicto Morelli, Francisco Martins e o mesmo Fernão de Noronha, de quem fizemos menção, e que a princípio fora contratador único, se conserva o regimento dado ao seu capitão Christovam Pires, e o original do roteiro da viagem até o porto do cabo Frio. (Idem, p. 91)

Outra informação preciosíssima para interpretarmos alguns acontecimentos de nossa história, que Varnhagen nos traz, sobre o mito aqui discutido, é que houve muitas embarcações com fugitivos, amotinados, piratas etc. que chegaram a aportar em terras brasileiras, porém suas estadias eram efêmeras, visando apenas reabastecimento ou descanso, o que não gerou nenhum tipo de interação ou influência para a história da civilização brasileira:

Anteriormente, em 1513, fora ter à ilha de Porto Rico um navio de Portugueses, que haviam desamparado a paragem da nossa costa, onde se achavam, em consequência de um levante (…). O tal navio se encontrava sem leme, comido do gusano, e quase impossibilitado de navegar. Em Porto Rico tomaram o mesmo navio, e mandaram a tripulação para a ilha de S. Domingos, donde foram remetidos a Castela.

Não nos fora hoje possível dar notícia de todos os navios que naqueles tempos, para a nossa história primitivos, aportavam nesta costa, ás vezes só para buscar abrigo do temporal, ou para refrescar, ou para descansar de longas fadigas; e que por conseguinte na terra não deixavam rasto algum de interesse na história da civilização do país. — Neste número devemos contar em 1519 o navio do castelhano D. Luiz de Gusman, que em vez de seguir de conserva para a índia, com Jorge de Albuquerque, veio desertor e pirata ter aos nossos mares (Idem, p. 99).

Capistrano de Abreu tem um estudo dedicado ao tema do descobrimento e a formação da população do Brasil colonial (Capistrano de Abreu. Descobrimento do Brasil e seu desenvolvimento no século XVI. Rio de Janeiro: Typ. de G. Leuzinger & Filhos, 1883) e traz informações que estão de acordo com as anteriores, que o Brasil foi inicialmente colonizado pelos donatários, que escolhiam a dedo os que viriam consigo para sua capitania (não selecionando bandidos e prostitutas para serem seres trabalhadores ou suas companhias), e por grandes comerciantes:

Quanto à grande extensão das capitanias e a consequente distância em que ficavam uns dos outros os núcleos civilizados, não é justo colocar-se do ponto de vista hodierno para julgar providencias e factos do século XVI. O que tinha em vista o governo português era assegurar-se a maior extensão possível do litoral e ferir de morte as tentativas invasoras dos Franceses. Ambos os resultados foram conseguidos! Si a expulsão dos Franceses exigiu quase um século de esforços, imagine-se o que seria si não existissem donatários.

Alguns destes viram desde o princípio burlados os seus tentames: exemplo João de Barros, Fernando Alvares de Andrade, Ayres da Cunha, Antônio Cardoso de Barros. Outros, depois de uma estreia risonha, deram em completo descalabro, exemplo Pero de Góes e sobretudo Francisco Pereira Coutinho, vítima dos bárbaros tupinambás. Outros, porém, foram felizes, e lançaram os fundamentos do que se pôde chamar a camada secundaria de nossa população.

Basta lembrar que dos donatários procedem Itamaracá, Olinda, Ilhéus, Porto Seguro, Santa Cruz, Espírito Santo, S. Vicente, S. André, para reconhecer que a sua influência foi fecunda e que a eles deve muito o povo brasileiro. Ainda mais e melhor se ficará reconhecendo isto, si repararmos que estes povoados são todos no litoral, onde os donatários não tinham tão grande interesse como no interior. (p. 87-88)

Para fechar com chave de ouro, trago essas citações iluminadoras de Pedro Calmon, que chega a listar os capitães e alguns integrantes das naus da esquadra cabralina, bem como deixando claro a importância de Cabral na corte de D. Manuel I, o Venturoso:

O “Venturoso” [D. Manuel] não o comissionaria [Cabral] para tal viagem se não revelasse qualidades excepcionais, de energia, tino e capacidade de direção. (História do Brasil. Século XVI. Vol. I. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1963, p.42)

(…)

Eram os capitães das treze naus:

Sancho de Tovar, segunda pessoa da esquadra, como substituto do capitão-mor, castelhano que tomara o partido de Afonso V contra Fernando e Isabel, por isso condenado à morte no seu país e favorecido em Portugal, cortesão e cavaleiro.

Simão de Miranda, genro de Aires Correia, que ia como feitor-geral para a índia, na categoria de governador econômico da conquista.

O fidalgo Aires Gomes da Silva, da melhor prosápia, aparentado na corte.

Nicolau Coelho, capitão na frota do Gama, exatamente o que se antecipou ao almirante para dar notícia do descobrimento, um dos mais famosos pilotos do tempo.

Bartolomeu Dias, empenhado em concluir a viagem que se lhe interrompera, em 1488, no Cabo das Tormentas o que não conseguiu, como se dirá. Fiscalizara a construção dos navios do Gama e o acompanhou, em 1498, até a Mina. Poucos teriam o seu tirocínio.

Diogo Dias, irmão daquele, também mareante, escrivão do Gama a bordo de sua nau São Gabriel, do grupo dos primeiros portugueses que desembarcaram em Calicute e o primeiro a navegar o Mar Vermelho.

O fidalgo Simão de Pina, Pêro de Ataíde, Vasco de Ataíde, o cavaleiro Nuno Leitão da

Cunha, Luís Pires, Gaspar de Lemos, capitão do navio de mantimentos que seguia a esquadra completam a lista dos comandantes.

Pessoas principais, iam o feitor-geral Aires Correia, Duarte Pacheco (homônimo do autor do ‘Esmeralda de Situ Orbis’ e não este, como até há pouco se acreditava), os nobres Vasco da Silveira, João de Sá, oito frades e oito clérigos, superior dos primeiros o franciscano Frei Henrique de Coimbra, funcionários, como o escrivão-mor Pêro Vaz de Caminha, que tinha sido vereador no Porto, letrado e arguto, o piloto autor de circunstanciada narrativa de toda a viagem, o físico, Mestre João, que escrevia um castelhano aportuguesado (Idem, p. 43-44).

Mas se pensarmos na Historiografia Brasileira é possível afirmar que nem tem tudo está perdido!

Não precisamos viver de um saudosismo ou uma mera idolatria dos grandes escritores do passado. Devemos é aprender com eles, respeitá-los e seguir seus passos, dando continuidade ao caminho do bem.

Nos últimos anos, há algumas iniciativas e estudos que são dignos de ser citados e até admirados. Entre eles, separo ao leitor a pesquisa de Nireu Cavalcanti, intitulada O Rio de Janeiro Setecentista (Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004), em que o autor fez uma pesquisa em seu doutorado em História, sobre os anos de 1700 do Rio de Janeiro, e verificou o número de passaportes de portugueses que entraram no Brasil nesta época, bem como de seus respectivos ofícios: “[d]o registro dos passaportes das 954 pessoas que, de 1769 a 1779, viajaram do porto do Rio para Portugal. Destas, dez não teriam qualificação profissional.” (Roni Lima. Tese tenta derrubar mito da colonização. Folha de São Paulo, 30 de Junho de 1996, ver aqui).

Ademais, há o excelente trabalho em andamento de Sidney Silveira e Sérgio de Carvalho Pachá, no site Contra Impugnantes, que possui um curso intitulado História do Brasil sem Máscaras, em que ambos propõem explicar a História do Brasil sem ideologias e à luz dos clássicos das Historiografias Brasileira e Portuguesa, aos interessados ver o link.

O que procurei mostrar neste artigo é que nossa história está sendo toda reescrita por professores e pesquisadores desonestos, visando não apenas doutrinar, mas reeducar totalmente a mentalidade dos brasileiros de acordo com o viés ideológico que lhes convêm. Todos aqueles que tentam ir contra esta ‘maré vermelha’ em nosso ensino (e não apenas nele, mas nos demais setores de nossa sociedade) acabam sendo boicotados, desacreditados, prejudicados ou até mesmo ameaçados por desmascararem as mentiras e todos os malefícios que a ideologia comunista vem trazendo ao Brasil (o chamado assassinato de reputação que Romeu Tuma Jr. explica em seu livro homônimo e que sofreu: Romeu Tuma Jr. e Cláudio Tognolli. Assassinato de Reputações. Rio de Janeiro: Topbooks, 2013).

Procurarei escrever em oportunidades vindouras outros artigos que desmascararão os demais mitos existentes em nosso ensino em relação a nossa história. Deixo aqui também uma boa referência ao leitor que queira ser introduzido nesse assunto e deseja aprender mais a respeito de nossa história, evitando cair em erros ou nas falácias ideológicas ensinadas nas escolas: Leandro Narloch. Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil (São Paulo: Leya, 2009).

Na série de artigos que desenvolverei sobre as mazelas de nosso ensino, discorrerei tanto sobre aspectos teóricos, como sobre seus aspectos práticos. O que é muito fácil! Basta o leitor acompanhar este artigo para ver como está sendo manipulado (ou seu filho, ou algum outro membro de sua família) e como é fácil escapar de tais estratégias de manipulação: por meio do bom uso da língua (estudando, lendo os grandes escritores, escrevendo seguindo os exemplos destes e praticando seus estilos mediante a imitação); da religião, o Catolicismo, seguindo o caminho do bem, que tanto enfatizei anteriormente; e alta cultura, lendo os clássicos universais e atemporais, entendendo-os, aprendendo com eles e colocando em prática as virtudes e os conhecimentos presentes neles.

Sem a língua, a religião e alta cultura, qualquer povo se destrói e fica refém do primeiro dominador que acerca sua nação (Sobre destruição da língua, da religião e da alta cultura no Brasil, ver Olavo de Carvalho, O orgulho do fracasso, O Globo, 27 de dezembro de 2003, aqui). Em nosso caso, estamos nos esfacelando, perdendo nossa unidade e sem ao menos perceber ou saber o que está acontecendo. Tudo isso é ótimo e está de acordo com as pretensões dominadoras comunistas e globalistas, que visam transformar a América Latina num grande curral, conhecido pela esquerdalhada como ‘Pátria Grande’.

A maneira de revidarmos é esta: língua, religião e alta cultura. Ao desvelar aos meus leitores os absurdos existentes em nosso ensino, eu estou fazendo a minha parte!

E você? O que está fazendo para melhorar nosso país?

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Davi Albuquerque

Sou católico e conservador. Doutor em Linguística. Professor de Ensino Médio e Superior nas diversas disciplinas da área de Letras. Atuo também como revisor, tradutor e crítico literário.